Estrangeiros miram mercado de trabalho brasileiro.

news.csarh.com.br Em fevereiro - 5 - 2013

As recentes quedas de ações em países da Europa e a preocupação cada vez maior com uma recessão econômica nos Estados Unidos fazem com que os estrangeiros mirem o mercado brasileiro. Somado a isso estão o aquecimento da economia nacional e a expectativa de uma enxurrada de contratações. Segundo o guia salarial da consultoria internacional HAYS Recruiting Experts Worldwide, 80% das empresas do Brasil vão contratar este ano, contra 53% da Itália e 44% de Espanha e Portugal.
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o número de autorizações para estrangeiros trabalharem no País cresceu 13% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período em 2010, e 30% em 2010 em relação a 2009. Americanos foram os que mais solicitaram visto, seguidos por filipinos, ingleses, indianos e alemães.
Paulo Sérgio Almeida, coordenador-geral de Imigração do MTE, justifica o aumento por conta dos crescentes investimentos no Brasil, especialmente nos setores industrial, de óleo, gás e energia. “Isso está caracterizado pela aquisição de equipamentos no exterior e implantação no país de novas empresas de capital estrangeiro”, afirma Almeida.
Ponte aérea
André Magro, gerente de recrutamento para a área de recursos humanos da HAYS Recruiting Experts Worldwide, diz que entrevista cerca de dois estrangeiros por semana interessados em trabalhar no Brasil. Em sua maioria, europeus, americanos e profissionais de países de língua espanhola.
“São executivos que já estão trabalhando no Brasil e pretendem ficar, ou estão de passagem por aqui e querem prospectar o mercado nacional. Eles disputam cargos de média e alta gerência, com salários em torno de R$ 12 mil”, explica Magro.

Não são apenas os profissionais que voltam os olhos para o Brasil. Segundo André Rapoport, vice-presidente de RH para a América Latina no Grupo Sanofi, existe uma mudança de foco das corporações. “Elas estão deixando de mirar os mercados mais tradicionais, como Europa e EUA, para voltar a atenção aos mercados emergentes. A sede do grupo na América Latina, por exemplo, é em São Paulo. O objetivo é fazer com que exista uma maior proximidade com a região”, explica.
Para integrar o time que comandará as ações na América Latina, no Brasil o Grupo Sanofi contará com profissionais contratados da França, Panamá, Colômbia e Argentina. “Chamamos também brasileiros que estavam no exterior e demonstraram interesse em voltar. Precisávamos criar um grupo heterogêneo e diverso. Serão 14 estrangeiros na companhia até o final do ano”, diz Rapoport.
Preferência nacional
Apesar da grande oferta de candidatos – só no site do Monster Brasil, por exemplo, há cerca de 340 mil estrangeiros interessados em vagas no país – e de uma boa receptividade para essa mão de obra em áreas como finanças e TI, as empresas brasileiras geralmente preferem contratar seus conterrâneos. “Há problemas com o idioma e a cultura, além de questões burocráticas como a obtenção de visto”, afirma Magro.
O advogado trabalhista Marcos Alencar, do escritório Dejure, de Pernambuco, diz que não há lei no Brasil que obrigue a empresa a preterir o estrangeiro quando este disputar uma vaga com um brasileiro. “O que pode ser feito, para as profissões que se sintam ameaçadas, é criar uma cláusula na norma coletiva impedindo que as empresas contratem estrangeiros. Esta é a forma mais breve para atender a reserva de mercado”, explica.

FONTE: economia.ig.com.br


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